a ilustração 1Ilustração com IA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Era um menino pequeno
De pés descalços, magrinho,
E cachinhos doirados
Que, um dia, apareceu lá em casa,
A me pedir duas moedas de “um cruzeiro”.
Ele, sorridente, recebeu-as
E lá se foi...
No outro dia, cedo, novamente,
Apareceu com o mesmo pedido.
Porém, ao ver uma vassoura infantil
Pediu-me para varrer a calçada...
Ao terminar, entreguei as duas moedas
E, novamente, lá se foi sorrindo.
Assim foi se sucedendo: ele sempre
A varrer e recebendo duas moedas...
Porém, tudo isso cessou um tempo.
Fiquei preocupada, angustiada,
Sobre o que teria acontecido...

Até que um dia, à hora do almoço,
Ouço a campainha tocar:
Feliz, corri, não sem antes colocar
Duas moedas no bolso.
E lá estava ele, loirinho, sorridente.
Quando pretendia passar a vassourinha
Pela grade do portão, ele, com os
Braços nas costas, me disse:
Não vou varrer, nem quero os dois cruzeiros,
Só vim trazer um presente pra senhora
Que eu mesmo fiz. ”
- Era duas lascas de taquara em formato de cruz

Ainda com cola fresca, caseira -
Emocionada, ao levantar os olhos para agradecer,
Não mais vi o menino, por mais que o procurasse...
Desapareceu, assim do nada: nunca mais o vi...
Porém, sei que foi a luz divina em forma
Humana, doce e meiga desse menino,
Que me levou, dias mais tarde, a cumprir
Uma inesperada missão: cuidar de crianças da
Zona do meretrício do Jardim Itatinga (Campinas/SP)
Nascendo, assim, o Lar Ternura.
Sou grata ao menino dos 2 cruzeiros
Pelo aviso antecipado...

Frances de Azevedo

 *Ana Maria Negrão, Presidente da ACL/Campinas, em sua obra No Azul das Hortênsias, às fls. 271/275, relata essa experiência emocionante. Confesso que, somente após ouvi-la num áudio, me dei conta da profundidade dessa transcendental experiência.

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